MAIS IMPORTANTE DO QUE A CURA FÍSICA

Philippe Madre - médico francês e um dos fundadores da Comunidade das Beatitudes, na França, existente desde 1975 -, corre o mundo em pregações. Seus temas continuam atuais: este, sobre Cura Interior, foi a base de seu último retiro, no Rio, que tive a bênção de acompanhar. Revendo algumas anotações, em busca de formação e em pesquisa de textos para este site, me deparo com este canal de graça, recordando seus ensinamentos, o clima de orações e a profundidade de sua palestra. Como sempre ocorre, em suas vindas ao Brasil, ele nos deixa uma bela lição de como chegar ao Senhor, em nossos pedidos de cura de nossas enfermidades físicas, emocionais e espirituais.

Por que este tema - Cura Interior - desperta, sempre, tanto interesse? Segundo o pregador, porque todos precisamos de algum tipo de cura e também porque é muito comum rezarmos na expectativa de que Jesus vai nos curar, e logo...

Este texto documenta sua sabedoria no assunto; e um belo alerta a todos nós: no lugar de "exigirmos" de Deus a nossa cura, é muito mais importante estarmos atentos à forma como entregamos ao Senhor as nossas intenções. E foi com esta linda oração que ele iniciou os trabalhos:

      "Senhor, visita minha vida. Senhor, cuida de mim.
      Senhor, mostra-me Tua Face, Teu Perdão, Tua Misericórdia.
      Jesus, preciso, mais e mais, de que reforces a minha fé em Ti.
      Senhor, cuida de meus médicos, remédios e exames.
      Senhor, toma conta de meus sentimentos.
      E, se quiseres, cura-me."

Philippe Madre insiste em que "é exatamente quando as competências humanas são finitas que Jesus mostra-se em toda a sua plenitude e reforça nossa fé, pois, desse modo, entendemos que para Ele não há nada impossível".

Suas palestras e seus livros destacam que, antes de orar pela cura, é preciso ter Jesus em nossa vida, no coração, no pensamento, no sentimento e nas ações. É necessário, também, clamar pelo Espírito Santo Consolador, para que Ele nos traga, primeiro, a consolação, um coração pleno de fé e compaixão, porque não é possível desejarmos a cura se o coração está duro, revoltado, repleto de rancor, de dúvidas, de cobranças a Deus e a todos que nos cercam. Só depois da renovação pelo Espírito Santo é que estaremos preparados para pedir a cura. Clamar, agradecer antecipadamente e louvar por tudo o que o Senhor nos destina é um caminho para a cura que, nem sempre virá, de imediato, mas poderá ocorrer tempos depois. Ou poderá não vir... Os desígnios de Deus, Philippe Madre sempre nos alerta, são de Deus e não para atender aos nossos desejos.

Muitas vezes nem percebemos que a cura que projetamos, na oração, veio de outra forma, porque o plano de Deus é diferente do nosso. Por isso, Philippe destaca, não devemos ser impacientes com Jesus, nem desacreditarmos no seu Amor e no seu poder de nos curar, porque Deus não se esquece dos que sofrem, mas ouve suas intenções e, mesmo sem a cura, Ele está sempre a nos dar outras graças.

Vale a pena relembrar estes dois testemunhos que ele relata nas palestras, com freqüência:

-1- certa vez, ele foi chamado para orar pelos enfermos em Fátima (Portugal). Nas primeiras filas, tinha mais de 200 doentes em cadeiras de rodas. Somente um homem foi curado e saiu de lá andando. Então, ele se questionava: "Por que só um, meu Senhor?"
Meses depois, Philippe Madre recebeu a visita de um homem, também em cadeira de rodas, que estivera ao lado do que fora curado. Ele testemunhou que, ao ir para Fátima, a mulher dissera-lhe que era a última vez que o acompanhava, porque ia deixá-lo, pois não agüentava mais um doente tão insuportável. Além da tristeza com a ameaça da esposa, ele sofria com as brigas entre os cinco filhos e o desamor de todos eles com os pais. Seu testemunho, esclarecia, não era, portanto, voltar a andar, mas o que o Senhor fez, naquele momento, em sua família. A mulher, tocada pelas orações, prometera-lhe não mais separar-se dele, mas buscar mais forças em Deus para continuar cuidando dele. A paz voltou à sua família; seus filhos tornaram-se amigos; o respeito e o carinho entre todos reinou em sua casa, desde que voltou de Fátima. E esse homem, de nome Roger, disse uma coisa que Philippe jamais esqueceu: "MUITO MAIS IMPORTANTE DO QUE A MINHA CURA FÍSICA, O SENHOR CUROU TODOS NÓS!"

-2- em outra ocasião, uma senhora apresentou-se a Philippe Madre com grave problema no ombro direito, que já impedia até os movimentos da sua mão, com fortes dores. Dizendo que era a última chance que dava a Jesus de curá-la, participou das orações de cura no primeiro dia. E nada aconteceu. Revoltada, cobrou de Deus a cura, mas voltou, no dia seguinte. De novo, participou de tudo e... nada. Antes de sair, arrancou o microfone da mão de Philippe Madre, reclamou com Deus por não estar curada e, ainda mais revoltada, saiu da igreja. Ao atravessar a rua, passando por uma obra, tropeçou, foi ao chão, e uma peça do andaime caiu em cima do seu ombro doente. Brigando ainda com Deus, levantou-se e só então deu-se conta de que se apoiara no ombro doente e na mão direita - antes quase inertes. Percebeu que não sentia nenhuma dor e que recuperara todos os movimentos. Voltou à igreja, novamente arrancou o microfone da mão de Philippe e dá seu testemunho: "Em exigia tanto de Deus a minha cura, e não entendia porque Ele não me ouvia. Agora eu sei o porquê: era preciso que eu me rebaixasse, que eu amansasse. E foi só quando me achava no chão, que Ele se mostrou seu poder e seu amor, porque eu precisava, primeiro, dessa queda."

Partilho com vocês este emocionante "recadinho" de Jesus, pela voz de Philippe Madre, naquela sua palestra: vejam se o tema não está totalmente atual...

"Eu sou o teu Senhor. Eu te peço perdão, se ainda não atendi tuas orações, mas continuo junto de ti. Continuarei derramando bênçãos sobre ti. Me dá mais uma chance, abre teu coração. É importante que reveles a tua doença e a partilhes com familiares e amigos, pois como é possível que orem por você se desconhecem sua enfermidade? Quanto mais colocar em evidência a tua doença, mais te abençôo com a minha consolação. Busca o diálogo; ora com amigos, como amigo, como meu amigo! Acolherei tudo o que me pedes, porque, assim, demonstras a dimensão da tua fé. Me recebe, de novo, eu te peço. Eu não me esquecerei de ti!"

Não esconder a doença foi um dos alertas que Philippe nos deixou. Quando pediu aos participantes com enfermidade mais grave que sentassem nas cadeiras da frente - e a maioria dos participantes aproximou-se dele -, explicou que colocar em evidência a enfermidade é um ato de humildade, diante de Deus e das pessoas. Disse que precisamos partilhar tudo em nossa vida e mostrar que precisamos de oração: "isso é um passo para que a cura interior ocorra."

Para isso, acrescentou, é muito importante observar a forma como levamos ao Senhor os nossos pedidos e fazermos uma autocrítica:

  • Como eu rezo?
  • Com que estado de alma eu peço a cura?
  • Há misericórdia, em meu coração?
  • Quero apenas que o Senhor faça a minha vontade?
  • Será que me mostrei para Deus como realmente estou e sou?

Alguns obstáculos podem impedir a cura interior, como ele relatou:

  • Olhar somente ou demais para nossas próprias feridas e não o bastante para o Senhor;
  • Centrar as orações em nós mesmos;
  • A recusa em perdoar, não somente aqueles que são causa de nossa sofrimento, mas até mesmo perdoar a Deus, pois muitas vezes achamos que Ele deixou o sofrimento chegar até nós. Como Ele é a própria compreensão, nos entende e nos convida a perdoá-lo;
  • O medo, que é uma barreira em nossa relação com o Senhor, já que a confiança é exatamente do que precisamos para ir a Deus;
  • Considerar que nosso sofrimento tem origem no outro, mas Jesus nos diz: "Se você sofre, interiormente, não é por causa de outra pessoa. O que lhe faz mal é o que você ainda guarda, no coração, a respeito daquela pessoa";
  • As reações emocionais de medo, revolta, vergonha e tristeza por causa de sua enfermidade.

Philippe Madre indicou alguns caminhos para a cura interior:

  • Escutar Deus;
  • Não "remoer" o sofrimento, de modo que não fique olhando para si mesmo;
  • Pedir: "Jesus, mostra-me onde tenho medo, revolta, vergonha e tristeza";
  • Apresentar com toda a sinceridade o seu problema a Ele, porque, só assim, Ele poderá curá-lo;
  • Escutar os outros, com misericórdia, como Deus nos escuta - sem condenação, julgamento, mas com compaixão, amor, perdão;
  • Depois de ouvi-los, orar por eles, antes de orar por si mesmo;
  • Buscar ajuda de Deus para ter consciência do que há, no seu sentimento mais profundo, e o faz sofrer;
  • Clamar a Deus e ao Seu Espírito Santo para que aflore a causa do que lhe faz sofrer - que, freqüentemente, nem se imagina o que seja;
  • Pedir a Deus que mostre a quem é preciso você perdoar: muitas vezes, Ele nos revela que precisamos perdoar a nós mesmos!;
  • Aceitar que os outros orem por nós; aceitar que conheçam nossa pobreza;
  • Não esconder nada de quem reza por nós: se não temos nada a esconder, poderão orar exatamente pelo que necessitamos;
  • Suplicar: "Senhor, tende piedade de mim, porque quero tirar os obstáculos à minha cura"!;
  • Insistir na oração pessoal pedindo a compaixão de Deus;
  • Não mentir a si próprio, jamais enganar-se;
  • Reconhecer que o obstáculo à cura está em si mesmo e permanece em seu interior;
  • Entender as reações emocionais - é aí que Jesus nos conhece e visita. Lembrar-se de que muitos acontecimentos passados voltam à nossa lembrança, sem reação emocional. Se ela ocorre, aí está uma causa da enfermidade; aí Ele colocará Sua misericórdia para curar as feridas interiores.

Philippe Madre, mais uma vez, falou com a mensagem do próprio Deus:

   "Não é a tua falta que olho, mas teu coração, que me busca!"

Lúcia Stela de Moura Gonçalves

Este site é melhor visto nos browsers Microsoft Internet Explorer e Netscape Navigator 5.0 ou superior, com resolução de vídeo de 800x600 ou mais.