OS DESAFIOS DA VIDA EM COMUNIDADE



Desde os primórdios, por natureza, o indivíduo tem necessidade de viver em grupo. Também hoje e principalmente na sociedade atual, mesmo com a presença marcante do individualismo, o homem continua buscando viver em grupo, seja no ambiente de trabalho, onde se faz necessária uma convivência harmônica, seja por livre iniciativa, como é o caso dos que optam por viver em uma irmandade, fraternidade ou numa comunidade.

A vida em comunidade é maravilhosa.Vale a pena observar o amor existente entre as pessoas, o carinho, a prontidão para atender o pedido de um irmão, a alegria sempre viva. A vida em comunidade é um verdadeiro paraíso.

Será que é isso mesmo? É tudo tão perfeito assim?

Quando me preparava para a vida religiosa, vivi uma experiência impar. Uma das minhas companheiras de grupo resolveu implicar comigo e de tudo fazia para me irritar. Ela foi tornando-se insuportável, a tal ponto que eu pouco conseguia olhar para ela. Foi um período terrível e aquela situação não podia continuar, principalmente porque nos preparávamos para uma vida em comunidade. O nosso relacionamento teria de sofrer uma grande transformação.

Comecei então a orar e perseverei na oração. Pedia todos os dias a Jesus que me libertasse daquele sentimento, que Ele de fato interferisse no nosso relacionamento e me desse amor para que eu pudesse amar a minha companheira de caminhada.

Num determinado dia, mais precisamente numa sexta-feira, eu e meu grupo fomos meditar a Via-Sacra, na capela, dentro do Convento da Congregação Sta. Marcelina, em Minas Gerais. Era um momento de oração em comum. As cenas da Via-Sacra eram transmitidas por slides. Foi uma bonita experiência do amor de Deus. Eu sentia que, após aquele momento de oração, algo novo aconteceria em minha vida. E aconteceu. Eu me entreguei àquele momento de oração de tal forma que houve uma transformação na minha vida. Ao meditar no sofrimento de Jesus, senti todo o sentimento desprezível que tinha pela minha companheira de caminhada cair por terra. Saí daquele momento de oração com o meu coração lavado. Sentia por aquela jovem, que tanto me perseguiu, um amor que não me pertencia. Passei a amá-la com o amor de Jesus.

Viver em comunidade exige a cada dia um morrer para si mesmo, a fim de que o outro possa viver. É desafiador, exige coragem e muita renúncia, no entanto, proporciona cura, crescimento e santificação.

Eliane Pinheiro da Silva, 24 anos, tem toda uma caminhada na Igreja Católica, graças à fé de sua mãe. Participa da Comunidade Teruah, desde 1999, e integra a Equipe de Liturgia da Paróquia São Bartolomeu, no Itanhangá.
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