O Extraordinário Poder da Intercessão
João Luís D.Mendes


Há um dito popular que diz: "uma andorinha só não faz verão". Em se tratando de intercessão, um só homem de oração faz toda a diferenç a entre a vitória e a derrota. Você pode mensurar o que um intercessor cheio do Espírito Santo pode fazer pela história de nossa geração? Ele é como uma águia pronta a erguer suas asas no momento oportuno e superar as nuvens das tribulações; é semelhante a um oásis refrescante, que no meio de um deserto abrasador restaura a alma e a vida dos que ali chegaram moribundos, com suas águas cristalinas; é como a escada de Jacó, que é instrumento para ligar o céu e a terra, fazendo com que à vontade de Deus se fizesse plenamente.

Todos os grandes intercessores que conheci, gente que fez a diferença em sua comunidade, em sua cidade, e sem exagero algum neste planeta, tinham uma coisa em comum: eram perseverantes em oração. Atravessaram grandes dificuldades, oravam e, apesar das coisas aparentemente piorarem, prevaleceram em oração. Apesar da enganosa sensação de que Deus não está nos ouvindo mais, viviam se questionando: Nossa fé está em Deus ou em nossa técnica e experiência em oração? Foi assim, na medida da apropriação da graça e dependência total nas mãos de Deus que venceram, porque permaneceram firmes num crescente e persistente intercessão junto ao trono de Deus.

Você já viveu, com toda certeza, momentos assim, não é verdade? Dias em que parecem que todas as forças do inferno vieram nos atacar. Muita gente experiente neste ministério já viveu também. Verdadeiros gigantes da oração chegaram a achar que não teriam forças para continuar. Pois é justamente nestas circunstâncias adversas, onde até parece que o Senhor nos abandonou e não está mais disposto a atender nossas orações, que vem o inimigo se apresentar com suas sementes de dúvidas, querendo nos fazer titubear em pontos que sempre nos sentimos fortes: nossa confiança no socorro do Senhor. Aqueles que cederam as mentiras do maligno, que creram mais em suas orações do que no Deus a quem elas se dirigem, acabaram por cair.

Muitas vezes o Senhor nos faz esperar a resposta a fim de elevar nosso caráter cristão. Deus não quer fazer de seus filhos crianças mimadas, que recebem tudo facilmente, mas, pelo teste de nossa fidelidade e constância, fortalece a nossa fé, nossa esperança, nossa paciência, e nos faz permanecer mais tempo diante dele. Assim o Senhor acaba por nos ensinar que dando-nos mais de si mesmo, acabamos por receber muito mais do que tudo o que pedimos. Nossa melhor resposta é a própria pessoa que responde.

Entretanto, há uma outra possibilidade que não queremos considerar: Deus pode dizer "não". Muitas vezes não queremos ouvir esta resposta e preferimos continuar buscando em oração algo que o Senhor já revelou que não atenderá. E por que não? Porque Deus sabe o que é melhor para nós e o tempo e a ordem certa de cada coisa acontecer. Deus espera até que todas as coisas estejam concorrendo e em ordem para que a graça aconteça. Muitas vezes não estamos preparados para recebemos os presentes divinos. Pedimos algo que está muito acima da nossa possibilidade de entendimento atual; outras vezes pedimos coisas que não necessitamos, que não são o melhor para nós, ou que necessitariam de nós crescimento espiritual que ainda não atingimos. É comum vermos pessoas pedirem ao Senhor determinados ministérios, como por exemplo o de cura, só que não estão em estágio de humildade o suficiente para receber este ministério. Assim, o Senhor espera o momento exato para dar-nos determinadas coisas, pois senão elas seriam para nós pedras de tropeço e não bênçãos.

Só quem já esperou pacientemente a resposta de uma oração, como Santa Mônica esperou a conversão de seu filho Santo Agostinho, sabe medir o verdadeiro poder da oração. Caminhar na fé, na certeza da resposta, apesar do quadro a nossa volta parecer sombrio e sem aparentes mudanças, é avançar rumo a vitória espiritual. Como diz Santa Teresa: "Aquele que não deixa de avançar, ainda que demore, acaba por chegar. Abandonar a oração não me parece outra coisa se não perder o caminho" (Vida, 19,5). Afinal, quando desistimos estamos provando com o nosso viver que confiamos mais em nossos esforços do que no poder de Deus; Não enxergamos que "nada está fora do alcance da oração, a não ser aquilo que está fora da vontade de Deus" (J. Blanchard); não apercebemos que a "oração é a chave do céu, mas a fé é a mão que a faz girar" (T.Watson); mendigamos, tendo todos os celeiros de Deus abertos à voz da fé de nossas orações. O tempo que aparentemente ganhamos acabou se revertendo em grande perda espiritual. Em Cristo Jesus, nem tudo o que parece ganho nesta vida realmente o é.

Ao contrário, aqueles que permanecem no Senhor, com mãos postas e joelhos firmes conseguem mover as mãos de Deus e experimentar do seu poder. Através da oração o Espírito Santo encontra acesso à realização dos desígnios de Deus para nosso homem integral - corpo, alma e espírito: que nosso espírito seja a sala de governo de todo o nosso ser, sendo regidos e dirigidos pelas orientações do Espírito Santo que habita lá; que nossa alma, local da nossa vontade, mente e emoções, possa estar submissa à vontade de Deus, com a mente renovada pela Palavra de Deus e as emoções curadas e controladas pelo Espírito; que nosso corpo possa apresentar as transformações de comportamento e reações do homem novo, espelhando cada dia mais os frutos do Espírito e a imagem e semelhança de Cristo Jesus.

O Espírito Santo é o intercessor perfeito, sendo Deus, vivendo dentro do homem, a reivindicar os interesses de Deus na face da terra e a clamar ao Deus Pai o que é melhor para nós. Quanto mais dóceis ao Espírito mais intimamente experimentaremos em nossas vidas as palavras do Apóstolo Tiago: "Muito pode, por sua eficácia, a oração do justo" (Tg 5,16). A palavra chave aqui é justiça, o estilo de vida santa que Jesus veio nos transmitir, que Deus anseia e aprova, e que é moldado em nosso viver no poder do Espírito Santo. Quanto mais me deixo moldar pelas formas da justiça de Deus, mais dinâmica se torna a nossa intercessão. Na verdade, oração que ultrapassa o teto é espelho de nossa vida santificada por Deus. Uma coisa e outra estão intimamente relacionadas. Deus não deixa de atender o clamor daquele que vive segundo o seu coração. Como diz um sábio escritor: "Não podemos esperar viver sem defeito e orar com efeito" (J. Blanchard).

É na oração que não desanima e não se deixa frear por nada que Deus promove o nosso crescimento interior, edificando a nossa fé, fortalecendo a nossa paciência e nos elevando a um nível de intercessão muito mais focada nas causas e interesses do Reino de Deus. Quanto mais faço silêncio e oro, ouço e obedeço as direções do Espírito, mais contemplo o poder e unção de Deus num crescente viver de uma vida que ultrapassa os limites desta vida. Aqui, entretanto, esta o ponto nevrálgico de nosso sucesso e crescimento na comunicação com o Espírito Santo: Ele vai exigir de nós obediência! Quanto mais obedientes, mais ele fala! Se quisermos poder na oração devemos buscar na Palavra de Deus um projeto para a nossa vida. A palavra chave aqui é buscar à vontade do Senhor para cada um de nós, arregaçarmos as mangas e vivermos. Atos de desobediência e fuga só irão atrapalhar e retardar estes planos. Não devemos nunca nos esquecer que os maiores beneficiados com esta obediência somos nós mesmos. Pois, como diz um padre da Igreja, "tudo o que o Espírito Santo toca, o Espírito Santo transforma"!

O intercessor cheio do poder do Espírito Santo é assim: Tudo ao redor dele é decadência espiritual, ossos secos e morte, mas ele é "como árvore plantada junto a corrente das águas" (Sl 1,3), continuando a produzir frutos e a prosperar. Tudo o que ele pede, Deus de alguma forma atende; seu clamor tem livre acesso ao trono de Deus; sua vida é conduzida pelas torrentes do amor de Deus; onde ele chega, a graça acontece.

O intercessor cheio do Espírito Santo é comparado a uma fonte constante de refrigério para os outros: "do seu interior fluirão rios de águas vivas" (Jo 7,38). Jamais seca. É verdejante e frutífero. Tudo, o que ele empreende, prospera; onde ele está Deus ali está; o que ele toca, é abençoado. De onde vem tal poder? Como diz um padre da Igreja: "tudo o que o Espírito Santo toca, o Espírito Santo transforma". Ele nunca se desiste, nunca se conforma com a derrota, nunca cessa de orar. Pois o poder e autoridade indescritível da intercessão vêm pelo chamado a uma profunda intimidade do homem de Deus com o Espírito Santo. Poder que traz livre acesso à sala do trono do céu; que saqueia o inferno e povoa o céu; que nos faz ver com os olhos da fé a possibilidade e a realização de milagres nas nossas vidas e na vida dos irmãos; poder de trazer a vida as bênçãos que Deus de toda eternidade predestinou para aqueles que o amam; que fez um dos maiores santos da Igreja dizer com convicção: "Nada há mais poderoso do que um homem que reza" (São João Crisóstomo). Amém.

João Luís D. Mendes é pregador da RCC, autor dos livros
Guerreiros em Ordem de Batalha e O Cerco do Camaleão


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